sábado, 16 de junho de 2012

Cinema em Campina Grande (1909 -1949) Parte I


Podemos perceber claramente dois momentos distintos da vivencia cinematográfica na cidade, principalmente no que se refere a questão de estrutura e como ela se representava dentro do campo cultural da cidade.
A primeira fase se inicia em 1909 com a primeira exibição de um filme em cinemascópio na cidade e termina em 1934, com a inauguração do Cine-Theatro Capitólio, sendo sobre esse primeiro momento que discorreremos neste tópico do texto, mais especificamente sobre os dois principais cinemas situados na região central da cidade: o Cine Fox e o Cine-Theatro Apollo, salas de exibição que colocaram o cinema como um ambiente de entretenimento na cidade.
Nos cinemas antigos (Fox e Apollo), eram exibidos os chamados filmes mudos,que eram acompanhados pelo som de um piano que ficava em embaixo da tela.Lembro-me de um pianista que acompanhava esses filmes,que chamavam Dino Belo,de tradicional família campinense. (DINOÁ,1990, p. 526)

O cinemascópio em Campina Grande se acende pela primeira vez no ano de 1909 em uma sala improvisada chamada de ´´Cinema Brasil´´ que funcionou durante um ano, na sede do Grêmio de instrução, atual edifício do Colégio Alfredo Dantas na Rua Marquês do Herval.
De 1909 até 1912, encontra-se registros de algumas outras salas de exibição como o ´´Cine Popular´´ e o ´´Cine Campinense´´, que funcionavam na Rua da Feira, atual Maciel Pinheiro. Porém, nenhuma dessas salas conseguiu sobreviver por muito tempo, devido a péssima estrutura e baixo poder financeiro dos exibidores, não tendo expressão na exibição de películas na cidade de Campina.

A primeira sala de exibição permanente só chegaria no dia 26 de Maio de 1912: O Cine-Theatro Apollo, cuja propriedade pertencia a um empreendedor dinamarquês chamado Waine, foi um dos mais inovadores cinemas dessa primeira fase das salas de exibição em Campina, sendo no ano de 1933 inaugurado no Apollo o primeiro aparelho sonoro no município.
O Cine-Theatro Apollo teve seu auge na década de 1920, quando seus palcos serviam para belíssimas apresentações teatrais. A sala de exibição mudou seu nome em 1935, passando a se chamar Cine para Todos, tentando reaproximar a massa da população campinense às suas exibições cinematográficas, que sumiram após a abertura do Cine Capitólio em 1934. Porém, depois de algumas reformas e pequenos investimentos fechou as portas no ano de 1943, quando não suportava mais a concorrência com o próprio Capitólio e o Cine Babilônia (1938).

Em 1934, com a inauguração do Cine-Capitólio com lugares para mil pessoas, o Cine Apollo,perdeu seu ´´status´´ de melhor cinema da cidade.E em 1935,trocou de nome passando a se chamar de ´´Cine Para Todos´´...Porém,apesar das dificuldades,o cinema ficou em atividade até 1943,quando deixou de funcionar definitivamente,ficando na memória dos freqüentadores as lembranças das noites vividas no velho cinema campinense.( NASCIMENTO,1997, p.110)

Apesar de não possuir uma grande estrutura física para seus freqüentadores, foi o mais importante cinema dessa primeira fase, onde se apresentavam não só filmes mas também peças teatrais, possuindo, inclusive, um grupo de teatro do próprio cinema e uma famosa orquestra que tocava antes, durante e depois de cada filme, como podemos ver em uma chamada do jornal O Século de 1928:

O festejado compositor Audacto Bello,regente da Orchestra do Apollo,Executará amanha durante a primeira parte do filme a ser levado naquele cassino a sua ultima Valsa das Ilusões.Chamamos a atenção dos apreciadores da boa música , para essa audição que Audacto Bello oferece aos abtuhés do APOLLO.[1]



Pesquisando em jornais da época encontramos poucos eventos não ligados a filmes e apresentações teatrais no interior do Apollo. Assim, podemos observar diversos eventos  realizados em clubes de bairros hotéis como o Centenário  e em auditórios como o do Colégio Alfredo Dantas. Curiosamente, muitos com a participação dos músicos do Apollo, notadamente se percebe o prestigio que possuíam os músicos na cidade.
No jornal A Batalha de 1934, encontra-se um curioso evento,em que um violonista chamado de Antonio José dos Santos,tocou em uma apresentação para a sociedade freqüentadora do cinema,porém esse evento chama atenção pelo seu caráter de ´´caridade´´ e não pelo Glamour característicos de grandes eventos sociais de Campina Grande.


        Jornal O Seculo, 25 de Agosto de 1928.

(continua...)

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