Podemos perceber claramente dois momentos
distintos da vivencia cinematográfica na cidade, principalmente no que se
refere a questão de estrutura e como ela se representava dentro do campo
cultural da cidade.
A
primeira fase se inicia em 1909 com a primeira exibição de um filme em
cinemascópio na cidade e termina em 1934, com a inauguração do Cine-Theatro
Capitólio, sendo sobre esse primeiro momento que discorreremos neste tópico do
texto, mais especificamente sobre os dois principais cinemas situados na região
central da cidade: o Cine Fox e o Cine-Theatro Apollo, salas de exibição que
colocaram o cinema como um ambiente de entretenimento na cidade.
Nos cinemas antigos (Fox e Apollo), eram exibidos os
chamados filmes mudos,que eram acompanhados pelo som de um piano que ficava em
embaixo da tela.Lembro-me de um pianista que acompanhava esses filmes,que
chamavam Dino Belo,de tradicional família campinense. (DINOÁ,1990, p. 526)
O cinemascópio em Campina Grande se
acende pela primeira vez no ano de 1909 em uma sala improvisada chamada de
´´Cinema Brasil´´ que funcionou durante um ano, na sede do Grêmio de instrução,
atual edifício do Colégio Alfredo Dantas na Rua Marquês do Herval.
De 1909 até 1912, encontra-se registros de
algumas outras salas de exibição como o ´´Cine Popular´´ e o ´´Cine
Campinense´´, que funcionavam na Rua da Feira, atual Maciel Pinheiro. Porém,
nenhuma dessas salas conseguiu sobreviver por muito tempo, devido a péssima
estrutura e baixo poder financeiro dos exibidores, não tendo expressão na
exibição de películas na cidade de Campina.
A primeira sala de exibição permanente só
chegaria no dia 26 de Maio de 1912: O Cine-Theatro Apollo, cuja propriedade
pertencia a um empreendedor dinamarquês chamado Waine, foi um dos mais
inovadores cinemas dessa primeira fase das salas de exibição em Campina, sendo
no ano de 1933 inaugurado no Apollo o primeiro aparelho sonoro no município.
O Cine-Theatro Apollo teve seu auge na década
de 1920, quando seus palcos serviam para belíssimas apresentações teatrais. A
sala de exibição mudou seu nome em 1935, passando a se chamar Cine para Todos,
tentando reaproximar a massa da população campinense às suas exibições
cinematográficas, que sumiram após a abertura do Cine Capitólio em 1934. Porém,
depois de algumas reformas e pequenos investimentos fechou as portas no ano de
1943, quando não suportava mais a concorrência com o próprio Capitólio e o Cine
Babilônia (1938).
Em 1934,
com a inauguração do Cine-Capitólio com lugares para mil pessoas, o Cine
Apollo,perdeu seu ´´status´´ de melhor cinema da cidade.E em 1935,trocou de
nome passando a se chamar de ´´Cine Para Todos´´...Porém,apesar das
dificuldades,o cinema ficou em atividade até 1943,quando deixou de funcionar
definitivamente,ficando na memória dos freqüentadores as lembranças das noites
vividas no velho cinema campinense.( NASCIMENTO,1997, p.110)
Apesar de não possuir uma grande estrutura
física para seus freqüentadores, foi o mais importante cinema dessa primeira
fase, onde se apresentavam não só filmes mas também peças teatrais, possuindo,
inclusive, um grupo de teatro do próprio cinema e uma famosa orquestra que
tocava antes, durante e depois de cada filme, como podemos ver em uma chamada
do jornal O Século de 1928:
O
festejado compositor Audacto Bello,regente da Orchestra do Apollo,Executará
amanha durante a primeira parte do filme a ser levado naquele cassino a sua
ultima Valsa das Ilusões.Chamamos a atenção dos apreciadores da boa música ,
para essa audição que Audacto Bello oferece aos abtuhés do APOLLO.[1]
Pesquisando em jornais da época encontramos
poucos eventos não ligados a filmes e apresentações teatrais no interior do
Apollo. Assim, podemos observar diversos eventos realizados em clubes de bairros hotéis como o
Centenário e em auditórios como o do
Colégio Alfredo Dantas. Curiosamente, muitos com a participação dos músicos do
Apollo, notadamente se percebe o prestigio que possuíam os músicos na cidade.
No jornal A Batalha de 1934, encontra-se um
curioso evento,em que um violonista chamado de Antonio José dos Santos,tocou em
uma apresentação para a sociedade freqüentadora do cinema,porém esse evento
chama atenção pelo seu caráter de ´´caridade´´ e não pelo Glamour
característicos de grandes eventos sociais de Campina Grande.