terça-feira, 2 de setembro de 2025
quinta-feira, 14 de agosto de 2025
Aproximações Pós-Coloniais para uma Uni(di)versidade no Século XXI em Boaventura de Sousa Santos
Artigo derivado da minha tese sobre Demodiversidade.
A trajetória de Boaventura de Sousa Santos (1940) é marcada por uma incessante busca por um pensamento social que transcenda os limites dos conceitos ocidentais, da modernidade e do capitalismo hegemônico. Formado em Direito em Coimbra e com estudos em Berlim e Yale, sua pesquisa ganhou um novo rumo ao focar no pluralismo jurídico e, posteriormente, em investigações nos países considerados periféricos. A partir dos anos 80, Santos assumiu o papel de um pensador social que questiona o consenso e as bases da sociedade, incluindo a ética, a cultura e a produção do conhecimento, representados pelo que ele chama de Capital Norte global.
Como modificar uma estrutura dominante? Santos propõe a contra-hegemonia, que não busca um consenso único, mas sim uma rede de múltiplos conhecimentos, culturas e vozes. O objetivo é atuar nos espaços produzidos pelo pensamento hegemônico, nas suas "linhas abissais", para diminuir as diferenças e acabar com o silenciamento. Sua participação ativa em movimentos sociais, especialmente no Fórum Social Mundial, demonstra seu compromisso em dar voz aos povos do Sul global, promovendo uma luta que vai além da teoria e se concretiza na prática social. A contra-hegemonia se opõe à noção gramsciana de consenso, onde os aparelhos privados de hegemonia operam para somar consentimentos em torno de suas proposições (MORAES, 2010, p. 6).
Santos defende que estamos em um período de transição paradigmática profunda, no qual os paradigmas modernos já não são suficientes para responder às nossas necessidades (SANTOS, 1994). Em seu livro, A gramática do tempo: para uma nova cultura política (2010), ele afirma ter percebido, em meados da década de 1980, que o modelo de modernidade ocidental estava exausto. Foi nesse período que ele propôs a construção de um novo modelo de racionalidade, a "Ciência pós-moderna" (SANTOS, 2010). No entanto, Santos logo percebeu a inadequação do termo pós-moderno, por defini-lo pela negativa e por pressupor uma sequência temporal, como se o novo paradigma pudesse emergir apenas após o esgotamento total do anterior (SANTOS, 2010, p. 26).
Essa crítica leva Santos a classificar sua teoria como Pós-modernismo de oposição, distinguindo-a do "Pós-modernismo celebratório". Essa nova abordagem inaugura um dos conceitos mais importantes da teoria pós-colonial: a crítica ao pensamento do mundo central, que busca padronizar o globo. Para ele, a reconstrução da emancipação social só pode ser feita com as vozes e experiências dos grupos oprimidos. Essa é a essência da teoria pós-colonial: dar primazia teórica e política às relações desiguais entre o Norte e o Sul na compreensão do mundo contemporâneo (SANTOS, 2010, p. 29). O pós-colonialismo, embora tenha sido influenciado pelas concepções pós-modernas, não se satisfaz com elas, buscando romper com os projetos liberais e socialistas de concepção do Norte.
A partir dos anos 2000, o pensamento de Santos aprofunda os estudos sobre a globalização, diferenciando a globalização hegemônica (dos países do Norte) da globalização contra-hegemônica (a resistência do Sul global). Seu pensamento é sempre aberto e inacabado, pois se constrói a partir da diversidade da experiência social e da busca constante por rever processos e renovar ideias. Essa concepção conceitual é a base para repensar a universidade no século XXI, transformando-a em uma "uni(di)versidade" que promova a diversidade e a inclusão de forma genuína.
Referências
MORAES, D. O método de Gramsci. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2010.
SANTOS, B. de S. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. Porto: Afrontamento, 1994.
SANTOS, B. de S. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo: Cortez, 2010.
SANTOS, B. de S. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: SANTOS, B. de S.; MENEZES, M. P. Epistemologias do Sul. Coimbra: Almedina, 2011. p. 23-71.
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